I II III
The name's Tess.

I'm a photographer for Allure and Vanity Fair magazines.

You’re the closest to heaven that I’ll ever be! @Rayndall

lise-rayne:

À porta de madeira fora aberta e dentro da residência, Tess lhe recepcionara com um abraço cheio de convicção. Se estivesse sonhando deseja se prender aquela fantasia, almejava se vincular a sensação de conforto e confiança que aquele amparo lhe propunha. Era uma sensação única e pertencente excepcionalmente à Tess. Ela era a única pessoa que conseguia dizer todas às palavras com um abraço. Um abraço que, em sua concepção poderia persistir por toda a eternidade. Um abraço simples, mas que proclamava todos os sentimentos possíveis presente em seu coração acalorado pela chama de um romance que não fora terminado, da forma correta. Um relacionamento que poderia voltar à ativa, caso o anseio fosse recíproco de ambas as partes. Lise almejava poder consolar o coração da outra, lhe proporcionar toda a felicidade que seu coração poderia dar à Tess. Adoraria ouvir as palavras sinceras articuladas pelos lábios da amada. Mas não queria de forma alguma pressioná-la, de modo que ela se sentisse desconfortável, seria doloroso demais vê-la sofrer, ou estar angustiada por alguma palavra dita pelos seus próprios lábios, não conseguiria se perdoar. Provavelmente ficaria martelando todos os momentos agradáveis ao lado da loura, e nunca teria o perdão próprio ao perdê-la pela segunda vez. Caso tivesse a oportunidade de fazê-la feliz, iria tornar os dias de Tess felizes o suficiente, para que ela desejasse ficar ao seu lado, para que ela abandonasse os problemas cotidianos, para pensar em um único momento, os prazeres da vida. Oh céus! Como estava apaixonada, não conseguia se concentrar em uma única coisa, a não ser o abraço caloroso que havia se encerrado nos últimos segundos. Sentir o perfume único e característico de Tess fez como que ela conhecesse a realidade, não estava em uma utopia criada pelo seu subconsciente para ter a presença da amada ao seu lado, estava próxima da mulher que lhe fazia feliz mesmo estando tão longínqua, da mulher que havia lhe apresentado à razão da vida.

Ver a expressão surpresa de Tes, fez com que Lise pensasse que havia aparecido na hora errada. Mas, a surpresa presente nos olhos magníficos da loura, era algo bom, pelo menos em sua concepção idealizadora. Diferente do que havia ordenado para si mesma, sobre não se perder na silhueta da mulher, fora por água a baixo. Estar diante da presença de Tess era impossível não admirá-la. Ela era tão única e exclusiva, sendo um pecado não admirar tamanha beleza natural. A francesa mantinha o sorriso apaixonado nós lábios, enquanto observava os traços delicados e ao mesmo tempo tão fortes, na fisionomia da Randall. A moça piscara algumas vezes para tentar manter o foco perante a outra, de fato era explícito que estava se comportando como uma adolescente. Não estava parecendo uma mulher de vinte e nove anos, mas qual seria o problema de manter uma conduta semelhante a um adolescente? Estava demasiadamente feliz ao reencontrá-la, para se importar em não manifestar aquilo que estava tão vivo em seu peito. O contato estabelecido pelo toque delicado e macio da mão da outra, permitiu que Lise apertasse delicadamente a mão da fotografa. Ainda de fora da residência, após receber o convite se permitiu abrir os lábios para conversar e puxá-la para mais um abraço. – Eu queria lhe fazer uma surpresa. – o seu sotaque francês sussurrado de uma forma tão baixa, para que somente ela lhe escutasse. – Eu acho que deu certo. – riu envergonhada. -      Espero que eu não esteja lhe incomodado. – colocara a franja curta atrás da orelha, retirando o chapéu da cabeça, o colocando na mão esquerda. As bochechas rosadas tonalizaram o seu tom de pele moreno. -  Estou tão feliz de reencontrá-la. 

O coração da fotógrafa se aqueceu com o segundo abraço, e seu corpo inteiro eletrificou-se com o sotaque francês soprado em seu ouvido. Quando mais nova, recentemente mudada para um novo local e sem amigos na universidade, Lise era sua única conhecida e a atração havia sido imediata e mesmo que a jovem Randall estivesse com medo do sentimento, ela não demorou a agir, em vista que a francesa aos seus olhos era tímida demais para tomar o primeiro passo. 

- Como você poderia me incomodar? - perguntou retoricamente, deslizando os olhos por toda a figura de Lise. Sorria consigo mesma por não ter esquecido do que passaram tantos anos atrás e terem terminado tudo de forma amigável, assim podendo estar diante de sua colega de quarto já adulta hoje e tão bela. - Você estar aqui é a melhor notícia que eu estou tendo desde… - tentou se lembrar da última vez em que tinha ficado feliz assim. - Desde que nos vimos da última vez, para ser honesta - concluiu, surpresa com o fato. Fechou a porta atrás de Lise e adentrou a casa em direção da sala, onde parou.

Um pouco nervosa, deu-se de conta que vestia roupas para dormir e não para receber visitas. Ficara ansiosa com a imagem da francesa diante de si que até esquecera como estava desleixada. Decidiu não ficar pensando nisso e sabia que Lise não se importaria, não realmente. - Lembra de quanto acabou a energia e acendemos aquelas velas porque precisávamos passar a noite estudando? - Tess não sabia porque se lembrara daquilo, mas sabia porque nunca havia esquecido: foi a noite em que ela primeiro quis beijar a colega na época, mas não tivera a coragem para tanto. - Se você não tivesse me ajudado, eu não teria me dado bem na nota - era tão ruim na maioria das disciplinas que até este dia se surpreende por ter durado todo um período. Sempre lhe faz rir. 

You’re the closest to heaven that I’ll ever be! @Rayndall

lise-rayne:

A música romântica tocava na estação do rádio do automóvel prateado. O veículo se locomovia com uma velocidade demasiadamente lenta, sendo deixado para trás por veículos velozes que se locomoviam na mesma pista que a sua. Os olhos castanhos reprimidos na estrada de mão única tentavam ao máximo, não desviar a sua atenção para outro ponto visual na imensidão cerúlea que compunha o horizonte longínquo. Os pensamentos convergidos em um único rosto fazia seu coração palpitar veementemente, de modo que seu corpo se prendesse em uma condição utópica; cuja realidade poderia estar adjunta em suas recordações. O sorriso espontâneo na fisionomia marcante se tornara uma obra de arte, protegida constantemente pelo seu subconsciente. As madeixas louras assentavam impecavelmente no tom de pele claro; uma pele tão macia que era digna de ser apreciada e tocada com delicadeza. Uma pele que possuía um perfume único e marcante, um aroma que outrora se fixara em seu corpo após uma noite de amor com sua única amada. Fixava-se em seu corpo após um abraço duradouro depois de uma longa conversa sobre o dia-a-dia, sobre contextos que ambas apreciavam, e mesmo se passando tanto tempo, aquele sentimento se mantinha vivo e tangível em seu peito. Uma emoção legítima pertencente a uma única mulher; Contessa Randall, cujo codinome marcara seu coração no momento em que havia pregado os olhos nela. Um nome carinhosamente apelidado como Tess. A mulher que havia esperado durante toda a uma vida, e que sairá pela porta da faculdade sendo apenas sua amiga. Mas no fundo Lise sabia que uma relação tão genuína quanto à sua, não terminaria daquela forma, se fosse necessário lutar para tê-la ao seu lado, iria usar todas às suas forças para conquistá-la novamente, para tê-la em seus braços, para poder sentir o coração de Tess bater próximo do seu, sendo apenas uma única carne. Lise já havia se tornado dependente do sentimento que crescia a cada dia em seu peito. A única alternativa que tivera para se dominar, fora se prender à água e impreterivelmente ao trabalho, ambos auxiliaram em sua salvação e agora tão próximo de encontrá-la novamente, poderiam se recordar dos velhos tempos, da felicidade de outrora, e como propriamente dito tentar recuperação o amor que um dia lhe fora cultivado.

O automóvel se encontrava de frente à portaria. Os documentos foram entregues ao segurança, que após verificar a sua autorização para adentrar o condomínio, fora possível se encaminhar até a rua da residência de Tess. As mãos trêmulas seguravam com força o volante, de modo a tentar controlar a sua respiração e as batidas devotadas em seu coração. Ao localizar a moradia, antes de desligar o veículo, Lise fechara os olhos durante longos segundos, sua garganta se encontrava seca e sua memória parecia estar cada vez mais viva em seu subconsciente. Às palavras que seriam vocalizadas em um diálogo cheio de saudade, sumiram de seu cérebro tamanho nervosismo. Embora seu coração ordenasse para que se mantivesse firme perante a decisão tomada durante a viagem à Boston, seu corpo implorava por socorro. Seu cérebro apresentava todas as negatividades plausíveis para deixar aquela ideia de lado, no entanto, se manteve firme e forte perante a decisão. Desligara enfim o veículo para abrir a porta metálica, as mãos morenas procuravam pelo pingente em formato de coração abaixo do pescoço, o apertando suavemente, de modo que pedisse ajuda a Deus. Bem no fundo, Lise sabia que tudo iria sair como planejado, não iria errar com as palavras tampouco se perderia naqueles belos olhos esverdeados. Pôs os pés no chão sentindo força para continuar, os cabelos curtos suavemente repicados nas pontas, deslizaram pela sua face após uma corrente de ar mexer com suas vestes, era possível sentir o cheiro de seu próprio perfume devido o movimento. Tratou de ignorar o pensamento e pôs-se a caminhar em direção a magnífica residência de Tess, o dedo indicador tocara a campainha e naquele momento, mais do que nunca, seu coração havia disparado.

Havia algo de úmido no ar aquele dia, como se algo chorasse de cima e molhasse tudo no caminho. Tess preferia acreditar não ser aquilo uma reação esperada vinda do seu humor, pois não queria dizer a si mesma que sentia por toda a cena com Emily no final de semana. Gostaria de mentir e mostrar confiança de que fizera o certo. Não que duvidasse sobre suas vontades ou considerasse por um segundo ter cometido o pior dos erros — sentia em seu coração que não poderia funcionar uma vida com uma adolescente. Contudo, o que não queria assumir era a merecida culpa por destratar a ruiva que em tudo só agia com paixão.

Fechou o livro de capa dura com contos sobre uma vida que nunca existiu diante dos olhos da realidade do mundo hoje, afastando-o com preguiça e fazendo um caminho pelo lençol branco da cama. Nem mesmo um lugar de fantasias foi o suficiente para manter sua mente borbulhante silenciada. Encarando o teto, uma chuva caminhava em sua direção. Outra vez água. Queria que sumisse, que tudo sumisse e lhe deixasse de cabeça vazia outra vez, para desfrutar da vida como só ela sabe. Aprumou os óculos enquadrando o rosto antes de decidir que não se importava com eles, guardando-os longe. 

Tinha decidido ficar de pijamas o dia todo. Mesmo após um banho, procurou as roupas mais confortáveis que conseguiu encontrar, em ordem de não ter nada lhe pressionando desnecessariamente. Vestiu o cardigã e calçou o que primeiro encontrou próximo à cama antes de galgar às pressas as escadas separando-lhe de quem tocava a campainha. Quando encontrou quem fizera barulho, os olhos piscaram incrédulos. Tess abriu a porta já sem fôlego dada a surpresa. Sem palavras, tomou para si o corpo de Lise num abraço íntimo, pessoal. Sussurrou seu nome aproveitando a proximidade, para deixar-se soltar, cuidando para segurar ambas as mãos daquela de que tanto sentia saudades. - O que você está fazendo aqui? E-eu não sabia que vinha me visitar. - Apertou o carinho e insinuou para que a morena entrasse com um leve puxar na direção da casa. - Vamos, não fique aí parada. - A fotógrafa brilhava de felicidade. Não parecia que tinha visto a francesa há menos de um mês, a saudade sendo de anos. Questionava-se se seria muito cedo para outro abraço. 

SMS | @Tess

  • Erin: Nada mais justo. Não me disse, mas tenho feito isso desde quando ela veio morar comigo, não é? É complicado.
  • Tess: Viver com uma adolescente deve ser complicado naturalmente.

SMS | @Tess

  • Erin: Acontece quando bebemos, quem quer que seja vai te desculpar. Eu acho que ela está bem, acho. Você não foi a única que estragou a vida de alguém.
  • Tess: Vai me desculpar porque eu vou pedir desculpas a ele. Você estragou a vida da sua irmã? Ela te disse isso? Essa é nova.

SMS | @Tess

  • Erin: Oh! Podemos conversar sobre isso? Foi a Eileen... Um pouco mais complicado do que eu posso explicar. Um pedido de desculpas serviria agora?
  • Tess: O que foi feito não tem mais volta. Além do quê a culpa foi minha por abrir demais a boca. Tudo bem com a pequena Chevalier?

SMS | @Tess

  • Erin: Pisei na bola contigo na sexta-feira, né?
  • Tess: Vamos só dizer que graças a você ter me deixado sozinha eu consegui estragar a vida de pelo menos duas pessoas.

[Karaokê Party] Lay down your arms || Beckall [flashback]

emsyisonfire: 

Achava que estava vacinada o suficiente contra aquela grosseria qual Tess distribuía para cima de si, aguentando tudo em ordem de amenizar sua própria dor. Cruzou os braços enquanto ouvia a maior, indignada pela forma a qual estava sendo tratada. Parte de si estava extremamente irritada com a situação, arfando em nervosismo a cada frase que abandonava os lábios da fotógrafa. O inesperado veio logo em seguida, o “pelo menos alguém que te queira” lhe partindo ao meio. Entreabriu seus lábios, incrédula com tudo aquilo. A vontade de descontar toda a suas dores e frustrações com tapa sobre o rosto de Tess veio à tona, certamente lhe trairia alívio embora não valesse a pena toda a dor de cabeça que traria depois. Controlou-se, respirando rápido.

- Eu sou muito mais do que você pensa que eu sou, Tess. – Desabafou Emily, os punhos cerrados enquanto respondia ao tom rude da mais velha. – Posso até falar coisas erradas em alguns… Quase todos os momentos, mas tudo é novo pra mim. – Corrigiu-se com um balançar de cabeça, aproximando-se da loira em ordem de abaixar o seu tom para que mais ninguém ali lhe ouvisse.  A expressão fechada em desgosto, Emily era pura decepção com a fotógrafa, embora não era o suficiente para lhe fazer desistir. Sentia um alívio imenso conforme falava. – Você insiste nisso, ainda não percebeu que não quero ninguém da minha idade?

Estava tão próxima de gritar, o que mais Emily teria de fazer para que a fotógrafa acreditasse em si? Riu quando a mais velha lhe ordenou que voltasse para a companhia de Maggie, dando de ombros como se tudo aquilo não importasse mais. Entraria no jogo de Tess dessa vez, mesmo sabendo que seria a primeira a perder. – Vamos fingir que nada aconteceu então. E que você não me quer. – Ironizou com seus olhos presos ao de Tess, os braços cruzados frente ao peito em desafio. – Vamos fingir que não era entre as minhas pernas que você estava na semana retrasada.

Exasperada, a fotógrafa escondeu o rosto nas palmas das mãos, grunhindo. Considerava a possibilidade de sair andando e deixar a ruiva falando sozinha. - Ótimo, encontre outra pessoa mais velha, então! - Explodiu, batendo as mãos no lado do corpo. Falou alto, mas alguém voltava a cantar e as atenções estavam no palco e não onde as duas discutiam. Mesmo assim, repetiu o gesto de escanear em volta e ter certeza de que ninguém lhes observava. - Eu não vou brincar de babá com você. - Fez questão de encarar a garota nos olhos. Sua tentativa de explicar a situação com calma para ela se esvaia. Não dava para falar com Emily a não ser dessa forma, na ignorância. 

Riu com desgosto quando a menina se colocou para cima, e negou suas afirmações com um balançar de cabeça. Nunca dá certo se envolver com adolescentes. Tess havia descoberto os motivos em primeira mão. - Não é como se você não tivesse aberto as pernas primeiro - clarificou no mesmo tom de soberba da ruiva. Não ficaria ali sendo a errada quando sabe que nada disso teria acontecido se Emily não tivesse começado. - Eu não te forcei a nada, da mesma forma que eu não fiz nada por obrigação. Mas acabou, tá ouvindo? - Havia se aproximado um passo dela, para falar com a maior claridade e objetividade possíveis. - Está na hora de você aceitar isso e seguir em frente. Seja com alguém da sua idade ou um cinquentão. - Respirou fundo e olhou em volta. - Eu não me importo. - Quem fosse no microfone cantava tão mal que Tess até mesmo perdeu o foco, virando o rosto na direção do infeliz. Balançou os cabelos, voltando a atenção para a garota. - Só me esquece. - Pediu, fitando-a.